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Esporte, Saude Mental, Mundo Corporativo

A Seleção Brasileira entendeu uma coisa que muitas empresas ainda ignoram

2 de julho de 2026
3 min de leitura
A Seleção Brasileira entendeu uma coisa que muitas empresas ainda ignoram

Talvez a única diferença entre um atleta da Seleção Brasileira e um executivo seja o uniforme.

Porque a pressão por resultado, o medo de falhar e a cobrança por entregar o máximo todos os dias... esses são exatamente os mesmos.

Enquanto milhões assistem a um jogador disputar uma Copa do Mundo, milhares de profissionais entram todos os dias em empresas carregando um peso que quase ninguém vê.

A diferença?

Quando um atleta entra em campo sob pressão, ninguém questiona a presença de uma psicóloga ao seu lado.

Pelo contrário.

Todos entendem que a mente precisa estar preparada para sustentar a alta performance.

Mas, quando um diretor, um gerente, um empresário ou um líder decide fazer terapia, ainda existe quem pergunte:

"Mas aconteceu alguma coisa?"

Essa pergunta revela o quanto ainda estamos atrasados.

Esperamos que o atleta cuide da mente antes da competição.

Mas esperamos que o executivo só procure ajuda depois do Burnout.

No esporte, já entendemos que desempenho não depende apenas de técnica.

Depende de equilíbrio emocional.

No mundo corporativo, ainda insistimos em acreditar que pessoas altamente capacitadas deveriam suportar tudo sozinhas.

Como Psicóloga, essa reflexão me atravessa profundamente.

Passei 22 anos dentro do RH corporativo.

Naquela época, eu via profissionais brilhantes sendo reconhecidos pela capacidade de suportar pressão.

Hoje, no consultório, encontro muitos deles novamente.

Só que agora eles chegam sem conseguir dormir.

Sem energia.

Sem prazer pelo trabalho que antes amavam.

Com ansiedade.

Com Burnout.

E quase todos carregam a mesma culpa:

"Como eu deixei isso acontecer comigo?"

A resposta quase nunca está na falta de competência.

Está no excesso de responsabilidade.

Na dificuldade de colocar limites.

Na crença de que ser forte significa aguentar tudo.

Na ideia de que pedir ajuda demonstra fraqueza.

E talvez esse seja o maior aprendizado que a Seleção Brasileira esteja nos oferecendo.

Os atletas não recebem acompanhamento psicológico porque são frágeis.

Recebem porque entendem que a mente faz parte da performance.

Por que, então, ainda tratamos a saúde mental nas empresas como um recurso para apagar incêndios?

Por que só olhamos para o emocional quando alguém já não consegue mais trabalhar?

Talvez esteja na hora de mudarmos a pergunta.

Em vez de perguntar por que um líder faz terapia...

Talvez devêssemos perguntar como esperamos que ele continue liderando pessoas, tomando decisões, administrando conflitos, sustentando resultados e cuidando de uma família sem cuidar da própria saúde mental.

Porque alta performance não é suportar mais pressão do que os outros.

É desenvolver recursos para continuar performando sem perder a própria saúde no caminho.

Talvez a única diferença entre um atleta da Seleção Brasileira e um executivo seja o uniforme.

Porque a pressão muda de cenário.

Mas a mente continua sendo humana.